Mesa que integrou os trabalhos: representatividade marcou a composição.
Cidinho: presidente fará adequações à sua lei que permite criação do Conselho.
Bispo Dom Joviano
Deputado estadual Simão Pedro
Sinézio apresenta dados preocupantes
PLENÁRIO CHEIO - Seminário de Segurança Alimentar teve boa participação
O 2º Seminário de Segurança Alimentar em Matão' teve uma boa participação popular. Numa realização da Câmara e Prefeitura Municipal de Matão, o evento serviu de incentivo para a criação do Conselho Municipal de Segurança Alimentar', proposta do presidente do Legislativo, Aparecido do Carmo de Souza (Cidinho), aprovada por unanimidade em 2003. A abertura foi feita por Cidinho e pelo prefeito Adauto Scardoelli.
O 2º Seminário' contou com discursos de Dom Joviano de Lima Júnior (bispo da Diocese de São Carlos), de Simão Pedro Chiovetti (de putado estadual pelo PT e secretário Agrário e de Acompanhamento do Programa Fome Zero' em São Paulo ) e Sinézio Inácio Silva Júnior (famacêutico, bioquímico, sociólogo, doutor em Nutrição Humana Aplicada , professor da Uniara e coordenador da Agro-Indústria e Segurança Alimentar em Araraquara).
Participaram da Mesa o 2º secretário, Alcides Mendes, Marta Marischen (presidente da Apada, representando as entidades), padre Marcos Pião, Eduardo Aleixo (Educafro, São Paulo), Sebastião Donizete (vereador do PT em Américo Brasiliense ) e Wellington Diniz Monteiro (Fórum Paulista de Segurança Alimentar e assessor da Secretaria de Acompanhamento do Fome Zero' em São Paulo. Wellington também discursou.
O QUE É O FOME ZERO'?
O Programa Fome Zero' é um conjunto de ações propícias para o Governo Federal compor uma Política Nacional de Segurança Alimentar com o combate a fome no país, de forma participativa. Sua elaboração envolveu especialistas, movimentos sociais e ONG's, nos diversos seminários e debates realizados ao longo de um ano. Para monitorar o Fome Zero', o presidente Lula criou o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Segurança Alimentar e Nutricional é a garantia do acesso à comida, diariamente, em quantidade, qualidade e regularidade suficientes para nutrir e manter a saúde de uma pessoa. Esse é um direito básico da cidadania e deve estar associado à dignidade e ser garantido pelo Estado. Para a sua aplicabilidade, é necessário associar o objetivo da política às estratégias de desenvolvimento econômico e social que garantam um equilíbrio e a inclusão social.
Outro mecanismo seria criar um novo modelo de desenvolvimento econômico que privilegie o crescimento com distribuição de renda, de modo a recuperar o mercado interno do país com geração de empregos, melhoria dos salários e recuperação do poder aquisitivo do salário mínimo. Também é importante adotar políticas diretas para atender as famílias necessitadas que diariamente sofrem com a fome e com a pobreza.
O Programa Fome Zero', instituído oficialmente no dia 30 de janeiro de 2003, toma como base a associação de três grupos de políticas: estruturais, específicas e locais. Alguns programas já foram instituídos, sendo eles: Bolsa Família; Benefício Assistencial de Prestação Continuada; Programa de Atenção Integral à Família (Casa das Famílias); Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.
Dentro da assistência social também estão disponíveis o Programa de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (Sentinela); Agente Jovem de Desenvolvimento; Proteção Social Básica e Específica à Pessoa Idosa; Proteção Social Básica à Criança de zero à seis anos e Proteção Social Básica e Especial para Pessoas com Deficiências.
No setor da segurança alimentar, estão o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar; os Restaurantes Populares; o Banco de Alimentos; Programa de Agricultura Urbana; Cozinha Comunitária; Feiras e Mercados Populares e Agroindústria Cooperativa e Solidária. No campo das parcerias pode ser aplicada a Articulação de Parcerias para Ações do Fome Zero.
PELO CONSELHO MUNICIPAL
Em Matão, o atual presidente da Câmara, Cidinho, disponibilizou por lei aprovada por unanimidade em 2003, a criação do Conselho Municipal de Segurança Alimentar. Considerando que comida é um direito e não fruto de caridade, nem instrumento de uso político, desejo a implantação deste Conselho, diz Cidinho. O presidente da Câmara providenciará algumas mudanças na sua lei para adequar novas normas estabelecidas pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Continuaremos nossos trabalhos para conseguir nossos objetivos, dentre os quais o acionamento dos Departamentos competentes da Prefeitura Municipal, relata ele, que espera a criação do Conselho. O prefeito Adauto Scardoelli compreende a necessidade de ações conjuntas no combate a fome. A Prefeitura será parceira de mecanismos que visam extingüir a fome e garantir os avanços nas ações sociais, comentou ele.
O deputado estadual Simão Pedro também se mostrou favorável a apoiar as iniciativas do Programa Fome Zero em Matão Estamos firmes no debate da Segurança Alimentar, propondo a criação de um Programa Estadual que garanta ações para que cidadãos tenham acesso à uma alimentação saudável. Nosso projeto que propõe ações de combate à obesidade já virou referência para as instituições que trabalham com o tema, comenta Simão Pedro.
Sinézio apresenta dados preocupantes
Desnutrição e obesidade são destacadas pelo palestrante.
Sinézio: 14 milhões de crianças morrem por ano no mundo devido a fome.
De acordo com os dados apresentados por Sinézio Inácio Silva Júnior no Seminário, 14 milhões de crianças morrem por ano vítimas de doenças relacionadas à fome, o que equivale a 24 por minuto ou três aviões Jumbos' (747 da Boeing) cheios de crianças a cada hora, todo dia, todo o ano. Sinézio mostrou que a humanidade consome 3,5 bilhões de toneladas de petróleo por ano; para substituir essa quantia por biomassa, seria necessária uma área equivalente ao Brasil.
Então, a mesma área atualmente usada no mundo para a produção de alimentos seria necessária, compara Sinézio. Há ainda, segundo a Embrapa, uma disponibilidade de 90 milhões de hectares a serem aproveitados sem maiores impactos ambientais (a área ocupada para a produção de álcool é menor que 3% do que essa disponível). Diante desses dados, espera-se uma grande concorrência pela terra entre a produção de álcool e a de alimentos. É preciso ter uma política agrária, agrícola e energética nem delineada, aponta Sinézio.
A morbidade nutricional de maior prevalência no mundo é a anemia ferropriva (por falta de ferro na alimentação), prejudicando o desenvolvimento físico e cognitivo; e a falta de vitamina A é um problema de grandes proporções, predispondo, por exemplo, a infecções respiratórias nas crianças.
Apesar da desnutrição no mundo ter diminuído em termos relativos, em termos absolutos aumentou, especialmente na África e apesar da fome em qualquer dimensão ser um dos maiores maior atentados morais e físicos à humanidade, no Brasil a desnutrição vem declinando e aumentando, por outro lado, a obesidade, especialmente entre os mais pobres e menos escolarizados e informados.
A obesidade e a má alimentação predispõe a diversas morbidades crônicas: diabetes tipo II, doenças cardiovasculares, hipertensão, alguns tipos de câncer. A própria desnutrição pregressa (aqueles que passaram fome na infância) predispõe mais facilmente ao desenvolvimento de obesidade na idade adulta (existiria uma programação metabólica adquirida na fase de privação)